Micro e pequenas empresas representam 100% da geração de empregos em Sergipe


Marcela Araujo | CM News |
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Micro e pequenas empresas representam 100% da geração de empregos em Sergipe
Marco Pinheiro, presidente do Sebrae - SE, defende incentivo e valorização das micro e pequenas empresas - Imagem: Divulgação

A geração de empregos em Sergipe está 100% nas mãos dos pequenos negócios. Esta realidade foi constatada por um levantamento feito pelo Sebrae, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. De acordo com o estudo, enquanto as pequenas empresas foram responsáveis pela criação de 5.235 vagas somente nos cinco primeiros meses de 2021, o saldo de contratações das médias e grandes empresas é negativo para o mesmo período. 

Para Marco Pinheiro, presidente do Sebrae – SE, a força motor da economia está nas micro e pequenas empresas, que são as responsáveis pela maior parte dos postos de trabalho. “Se os números estão positivos, isso nos traz a esperança da recuperação econômica, após mais de um ano de dificuldades impostas pela pandemia. Ver que as empresas menores estão contratando enquanto grandes empresas fazem um caminho oposto mostra o quão importante é trabalhar políticas de incentivo e valorização para este segmento. Esperamos uma força conjunta entre os poderes públicos e entidades como o Sebrae para que as micro e pequenas empresas continuem no ritmo de crescimento”, comemorou Pinheiro. 

Para se ter uma ideia da importância desses dados, basta fazer uma comparação com os meses de janeiro a maio de 2020, quando foram fechadas 5.571 vagas. 

Em 2021 os setores que mais realizaram contratações foram o de Serviços (2.256), Comércio (1.423), Construção Civil (750), Indústria de Transformação (724), Agropecuária (58). Também registraram números positivos os Serviços de Utilidade Pública (17) e Indústria Extrativa Mineral (7).

A quantidade de vagas criadas pelas pequenas empresas representa 100% dos empregos gerados em Sergipe. Isso por que o saldo de contratações das médias e grandes empresas, de janeiro a maio de 2021, é negativo. Nos cinco primeiros meses do ano, foram realizadas 5.131 demissões nestes estabelecimentos. O número, porém, é inferior ao registrado no mesmo período de 2020, quando foram fechadas 7.783 vagas.

Analisando os últimos doze meses, as micro e pequenas empresas criaram 10.694 empregos em Sergipe. Já as médias e grandes foram responsáveis pelo fechamento de 1.760 postos de trabalho no período. 

Geração de empregos em Sergipe
Laércio Oliveira e Marco Pinheiro acreditam que os pequenos negócios são os grandes impulsionadores da economia brasileira. Imagem: Divulgação

Para Laércio Oliveira, presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, estes dados comprovam a força que o pequeno negócio tem em Sergipe. “De cada 10, 8 empregos são provenientes de micro ou pequenas empresas, aquelas que contratam até 20 pessoas. A grande mola propulsora da economia do nosso estado é o setor de serviços, que tem nas empresas pequenas, sua grande maioria de empregos gerados. São mais de 300 mil postos de trabalho só nesse tipo de empresa. Isso mostra que o pequeno negócio, resultado da coragem das pessoas em empreender, é o que mais abriga pessoas, dando oportunidades de trabalho, promovendo geração de renda e qualidade de vida. O povo de Sergipe é empreendedor e empregador por natureza, dando força para nossa economia. E é importante que sejam valorizadas as empresas do pequeno varejo, pois a receita dessas empresas circula na própria vizinhança, fazendo as comunidades mais fortes economicamente”, afirmou. 

Reinventar o negócio

Uma das vantagens das micro e pequenas empresas é a capacidade e facilidade para se reinventar. Com um negócio com número de funcionários reduzido é possível repensar estratégias e coloca-las em prática, ao contrário do que acontece com as médias e grandes empresas que precisam de uma análise mais profunda e possuem processos internos com menor flexibilidade. 

A empresária sergipana, Marilete Toscan, precisou reinventar-se para não deixar que a pandemia deixasse marcas irreversíveis no seu negócio. Antes da pandemia, a empresa de Marilete focava principalmente em fornecer alimentos para eventos. Como este foi um dos seguimentos mais afetados pela crise atual, ela decidiu lançar uma linha de congelados para o consumidor final e deu certo. O sucesso foi tanto que a empresa aumentou em 36% o número de funcionários contratados durante a pandemia. 

“Estamos trabalhando com refeições coletivas e fechamos três novos contratos entre 2020 e 2021. Além disso, nos reinventamos e incluímos uma nova linha de congelados. Também decidi investir no marketing da empresa. Criamos uma loja virtual para o consumidor final e depois passamos a atender em escala para vários supermercados e mercearias”, conta a empresária.

 

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