Setor produtivo: o paciente que inspira cuidados


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Lá se vai mais de um ano de pandemia provocada pelo coronavírus. De lá para cá, um saldo de milhões de mortes no mundo, sendo centenas de milhares delas em nosso país. Além das irreparáveis vidas perdidas, a doença também tem ceifado negócios e empregos em uma velocidade assustadora. Assim como a saúde, o setor produtivo inspira cuidados. O auxílio dos aparelhos tem sido fundamental para manter este paciente vivo.

Os números demonstram um grave diagnóstico: Sergipe fechou o ano de 2021 com um triste saldo negativo de 4.475 postos de trabalho com carteira assinada a menos. No total, foram 72.680 admissões contra 77.155 desligamentos. E a tendência é que as dificuldades aumentem, uma vez que a economia continua patinando diante das mazelas da Covid. O enfermo continua sua luta para se tornar saudável.

E olha que se não há um velório hoje é por causa da ação medicamentosa do Governo Federal, que entrou com um remédio chamado Benefício Emergencial para Preservação do Emprego e da Renda (BEm), medida que permitiu a flexibilização da jornada de trabalho, com possibilidade de redução salarial. A iniciativa foi importante, chegando a evitar a demissão de cerca de 10 milhões de trabalhadores.

Agora, o Governo Federal ministrou outra dose: o presidente Jair Bolsonaro acaba de assinar uma nova medida provisória relançando o BEm por um prazo de até 120 dias, tendo à sua disposição R$ 10 bilhões em créditos extraordinários para subsidiar o pagamento dos acordos. Um verdadeiro alívio neste momento em que os empreendedores continuam em apuros – principalmente os micro e pequenos.

No âmbito local, o Governo do Estado e Municipal apresentaram recentemente pacotes de iniciativas incluindo a prorrogação do pagamento de impostos e a extensão da validade de certidões negativas e alvarás. No entanto, apenas as duas últimas contemplam todos os segmentos econômicos, enquanto a prorrogação do pagamento de tributos como TLF, ISS e IPTU foi concedida para alguns segmentos. Escolheram qual doente tratar.

Diante disso, percebe-se que há sim esforço para dar sobrevida àqueles que estão batalhando para continuar produzindo. Todavia, ainda existe a necessidade para um medicamento mais potente – já é hora de que seja formulado um plano de recuperação econômica amplo e completo, com a reforço de ideias e sugestões feitas pelo setor produtivo indicando as necessidades. O médico tem que ouvir o paciente e atender o que for possível.

É notório que somente com a vacinação em massa é que se poderá retomar à normalidade e salvar, de uma vez, vidas e empregos. Até lá, é preciso que sejam disponibilizados meios de enfrentar a crise. Afinal, a preocupação é geral e os pequenos empreendedores ainda clamam por ajuda. São pais e mães de família que querem apenas continuar levando o pão para casa. Para eles não existe outro remédio que não seja a oportunidade de trabalhar.

*Marco Pinheiro
Empresário – Presidente da ACESE e do Conselho Deliberativo do Sebrae/SE

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